Quanto cobrar por consultoria online: calcule seu preço
Um método simples para definir o valor da sua consultoria online de treino ou dieta: custos, horas por aluno, margem e posicionamento — sem copiar o preço do concorrente.
“Quanto eu cobro?” é provavelmente a pergunta que mais trava quem está começando uma consultoria online — e a que mais faz dinheiro escapar de quem já tem alunos. A resposta mais comum é olhar o preço de outro profissional e cobrar parecido. O problema: você não sabe quanto ele trabalha por aluno, quanto gasta, nem se aquele preço se paga.
Este guia mostra um jeito de chegar ao seu preço a partir dos seus números. Leva uns 20 minutos e uma calculadora.
O que entra no preço de uma consultoria online
Antes de qualquer conta, liste o que o aluno recebe. Uma consultoria fitness online costuma incluir uma combinação de:
- Avaliação inicial e anamnese — o trabalho mais pesado, concentrado no primeiro mês.
- Prescrição — montagem do treino, da dieta ou do protocolo.
- Ajustes periódicos — revisões a cada 4, 6 ou 8 semanas.
- Acompanhamento — check-ins semanais, análise de fotos e medidas, respostas a dúvidas.
- Suporte — o canal por onde o aluno fala com você e o prazo em que você responde.
Cada item consome tempo. E o tempo é a base da conta.
Passo 1: descubra quanto tempo cada aluno consome por mês
Pegue um mês típico de um aluno e estime, em minutos:
| Atividade | Exemplo de tempo/mês |
|---|---|
| Prescrição e ajustes (diluídos no mês) | 40 min |
| Check-ins semanais (4 × 10 min) | 40 min |
| Mensagens e dúvidas | 30 min |
| Administração (cobrança, cadastro, organização) | 15 min |
| Total | ~2 h por aluno/mês |
Os números acima são só um exemplo — anote os seus. Se você ainda não tem alunos, faça a estimativa e revise depois do primeiro mês com dados reais.
Repare na linha de administração: cobrar no WhatsApp, conferir comprovante de PIX e lembrar quem está atrasado é tempo que não aparece no preço, mas sai do seu mês. Reduzir essa linha é a forma mais rápida de aumentar o quanto você ganha por hora sem mexer no preço.
Passo 2: defina quanto a sua hora precisa valer
Responda duas perguntas:
- Quanto você quer (ou precisa) ganhar por mês com a consultoria? Use o valor líquido, já descontando o que você vai pagar de impostos.
- Quantas horas por mês você quer dedicar à consultoria? Seja realista: inclua só as horas de trabalho efetivo com alunos.
Divida um pelo outro e você tem o valor-hora mínimo.
Exemplo: meta de R$ 6.000 líquidos por mês ÷ 80 horas dedicadas = R$ 75 por hora.
Passo 3: some os custos fixos e variáveis
Liste o que você paga para a consultoria existir:
- Fixos: ferramentas e softwares, contador, anuidade do conselho profissional, internet, cursos e atualização.
- Variáveis por aluno: taxas de pagamento (cartão, PIX, boleto) e qualquer material que você envie.
Divida os custos fixos pelo número de alunos que você espera ter e some aos variáveis. Isso dá o custo por aluno.
Exemplo: R$ 400 de custos fixos ÷ 20 alunos = R$ 20 por aluno, + R$ 5 de taxas = R$ 25 de custo por aluno/mês.
Passo 4: monte o preço mínimo
Agora junte tudo:
Preço mínimo = (horas por aluno × valor-hora) + custo por aluno
Exemplo: (2 h × R$ 75) + R$ 25 = R$ 175 por mês.
Esse é o piso: abaixo dele, cada aluno novo te faz trabalhar mais para ganhar menos do que você definiu. Acima dele é onde entram margem e posicionamento.
Passo 5: ajuste pelo posicionamento, não pelo concorrente
Com o piso em mãos, aí sim vale olhar o mercado — não para copiar, mas para decidir onde você quer estar. Alguns fatores justificam cobrar acima do piso:
- Especialização: hipertrofia feminina, gestantes, corredores, emagrecimento pós-parto. Quanto mais específico o público, menor a comparação direta de preço.
- Nível de acompanhamento: check-in semanal com resposta em 24 h vale mais que revisão mensal.
- Resultados documentados: antes e depois, depoimentos e casos com autorização dos alunos.
- Experiência do aluno: treino num app, com vídeo de execução e histórico, é percebido como mais profissional que um PDF no WhatsApp.
Mensal, trimestral ou pacote?
O formato de cobrança muda o seu caixa e a retenção:
- Mensal recorrente: previsível para você, entrada mais leve para o aluno. Funciona melhor com cobrança automática — o aluno não precisa lembrar de pagar, e você não precisa lembrar de cobrar.
- Trimestral ou semestral: mais caixa adiantado e mais tempo para o aluno ver resultado. Costuma vir com desconto sobre o mensal.
- Pacote fechado (ex.: 12 semanas): bom para programas com começo, meio e fim, como um desafio ou preparação para um evento.
Uma estratégia comum é oferecer o mensal como referência e o trimestral com um desconto que faça sentido para os dois lados.
Erros comuns na hora de precificar
- Cobrar o mesmo para todo tipo de acompanhamento. Treino + dieta + check-in semanal não pode custar o mesmo que só treino.
- Esquecer as taxas de pagamento. Elas saem de cada mensalidade.
- Dar desconto para “fechar logo”. Desconto sem contrapartida (prazo maior, pagamento adiantado) só reduz a sua hora.
- Nunca reajustar. Revise o preço pelo menos uma vez por ano — e aplique primeiro para alunos novos.
- Não cobrar de forma recorrente. Cobrança manual gera atraso, constrangimento e aluno que “some” sem cancelar.
Resumo
- Meça quanto tempo cada aluno consome por mês.
- Defina o seu valor-hora mínimo.
- Some custos fixos e variáveis por aluno.
- Calcule o piso: horas × valor-hora + custo.
- Posicione o preço acima do piso de acordo com especialização, acompanhamento e experiência que você entrega.
Com o preço definido, o próximo passo é garantir que ele chegue na sua conta todo mês — sem planilha e sem cobrança no WhatsApp.